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Matemático e reformador do Iluminismo que defendeu a razão, a educação universal e os direitos humanos em meio à turbulência revolucionária.
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Jornada de vida
Nasceu na pequena nobreza como Marie Jean Antoine Nicolas de Caritat, mais tarde Marquês de Condorcet. Criado em um lar devoto moldado pela França provincial, mostrou desde cedo grande aptidão para a matemática e os estudos.
Ainda adolescente, mudou-se para Paris para buscar uma formação rigorosa em matemática e filosofia. As academias e os salões da capital o expuseram aos debates iluministas sobre razão, reforma e método científico.
Publicou trabalhos substanciais em análise que chamaram a atenção de importantes sábios franceses. Esses sucessos o ajudaram a entrar em círculos intelectuais de elite e a construir a reputação de um jovem matemático notável.
Foi eleito para a Academia de Ciências, confirmando sua posição entre a elite científica da França. O cargo o conectou à ciência apoiada pelo Estado e a redes que influenciavam políticas públicas e educação.
Trabalhou de perto com figuras como Voltaire e com o meio iluminista que valorizava a investigação secular. Por meio de correspondência e publicações, defendeu a tolerância e a razão contra a censura e a autoridade clerical.
Sob o ministro reformista Anne Robert Jacques Turgot, tornou-se inspetor da Casa da Moeda de Paris. O posto o colocou na interseção entre economia, administração e mensuração científica no Estado francês.
Após Turgot perder o poder, apoiou publicamente reformas liberais econômicas e administrativas. Seus textos criticaram privilégios e sustentaram que políticas racionais poderiam reduzir a pobreza e ampliar oportunidades.
Em seu ensaio sobre a aplicação da análise à probabilidade das decisões tomadas pela maioria, analisou matematicamente a votação por maioria. Mostrou como preferências coletivas podem formar ciclos, hoje conhecidos como paradoxo de Condorcet.
Casou-se com Sophie de Grouchy, cujo salão se tornou um centro de pensadores liberais e visitantes estrangeiros. Sua casa reuniu filosofia e política, com simpatia pelos movimentos reformistas americano e francês.
À medida que a crise se intensificava, defendeu direitos civis iguais, incluindo para protestantes e judeus na França. Apresentou a tolerância como uma necessidade racional para um Estado moderno, e não apenas como concessão caritativa.
Com o início da Revolução, alinhou-se à reforma constitucional e à linguagem dos direitos universais. Usou jornalismo e panfletos para defender governo representativo e legislação baseada em evidências.
Escreveu um texto defendendo a admissão das mulheres ao direito de cidadania, argumentando que elas mereciam plenos direitos políticos. Contra as normas dominantes, fundamentou a igualdade na razão e na justiça, não no costume ou na doutrina religiosa.
Foi eleito para a Convenção Nacional e associou-se à facção girondina. Buscou uma república liberal e resistiu a atalhos autoritários, enquanto a guerra e o conflito interno radicalizavam a política.
Trabalhou em projetos constitucionais e delineou planos ambiciosos para a educação nacional. Suas propostas enfatizavam a escola laica e universal, voltada a formar cidadãos informados e capazes de autogoverno.
Opos-se à pena de morte para Luís XVI, alertando que a vingança política corroeria princípios republicanos. Após os montanheses tomarem o poder, foi denunciado, forçado a se esconder e ficou efetivamente proscrito.
Enquanto estava oculto em Paris, redigiu uma obra sobre um quadro histórico do progresso do espírito humano. Defendeu que ciência, educação e direitos poderiam impulsionar a melhoria humana de longo prazo apesar do terror do presente.
Após meses escondido, tentou escapar de Paris, mas foi preso em circunstâncias suspeitas. Detido numa prisão local, ficou isolado de aliados enquanto o Terror se intensificava.
Foi encontrado morto na prisão, com a causa atribuída de forma diversa a doença, suicídio por veneno ou negligência. Sua morte o tornou um mártir do liberalismo iluminista nos meses mais sombrios da Revolução.
